Os resultados recentes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acenderam um alerta vermelho sobre a qualidade do ensino superior no Brasil. O teste, que avaliou quase 40 mil estudantes em fase de conclusão de curso, revelou que cerca de um terço dos futuros médicos não alcançou a nota mínima aceitável para o exercício da profissão. Para Cristina Alvim, vice-diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os números confirmam uma “tragédia já previamente anunciada”, impulsionada pela abertura desenfreada de cursos sem os critérios técnicos e estruturas ideais.

A conselheira do Conselho Federal de Medicina (CFM), Cibele Carvalho, aponta que a deficiência na formação muitas vezes começa na falta de infraestrutura básica para o aprendizado prático. Segundo a conselheira, programas governamentais de expansão, como o “Mais Médicos”, tentaram levar profissionais a locais remotos, mas esbarraram na ausência de hospitais, vagas e medicações adequadas, gerando frustração tanto para os médicos quanto para a população atendida. Cibele reforça que ter o diploma em mãos não é suficiente se não houver o suporte estrutural necessário para a prestação do serviço de saúde.

Outro ponto crítico discutido é a crescente mercantilização da educação médica no país. A Vice-diretora Cristina destaca que muitas instituições privadas cobram mensalidades elevadíssimas, mas não entregam o projeto pedagógico robusto que o Sistema Único de Saúde (SUS) exige. A análise do Enamed mostra uma discrepância clara entre o desempenho de universidades públicas, focadas na saúde como direito humano, e grande parte das instituições particulares. Diante desse cenário, as especialistas defendem um rigor muito maior na fiscalização e na exigência de qualidade para proteger a sociedade de atendimentos precários.

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março 10, 2026

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